Complexo turístico em Bananeiras amplia vivências culturais, gastronômicas e históricas e se consolida como um dos destaques do Festival Caminho dos Engenhos
O turismo no Brejo Paraibano vive um novo momento. E entre os empreendimentos que mais chamam a atenção nesse processo de transformação está o Eco Parque Angicos, em Bananeiras.
Mais do que um parque ou restaurante rural, o espaço vem se consolidando como um verdadeiro complexo turístico de experiência, reunindo elementos do turismo rural, ecológico, histórico, cultural, gastronômico, religioso e de aventura em um único território.
O empreendimento passou a ganhar ainda mais protagonismo após integrar oficialmente o Festival Cultural e Gastronômico Caminho dos Engenhos, projeto lançado em março pelo SEBRAE Paraíba em parceria com o Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico e da PBTUR.
Com o slogan “O São João começa aqui”, a rota passa por engenhos históricos de Areia, Bananeiras, Serraria e Alagoa Grande, fortalecendo experiências ligadas à cultura da cana-de-açúcar, gastronomia regional, música nordestina e memória afetiva do interior paraibano.
Um espaço que deixou de ser apenas visitação
O que chama a atenção no Eco Parque Angicos é justamente sua capacidade de ampliar constantemente suas experiências.
Em janeiro deste ano, o empreendimento lançou dois novos produtos turísticos: o “Luau Angicos” e a experiência de acampamento rural, desenvolvida com consultoria especializada do SEBRAE.
A proposta do acampamento vai além da hospedagem convencional. O visitante participa da rotina rural, acompanha a ordenha do leite, vivencia o amanhecer no campo e encerra a experiência com um café da manhã regional típico do Brejo Paraibano.

O Luau Angicos, por sua vez, fortalece a proposta de turismo de experiência noturna, unindo gastronomia, natureza, música e convivência ao ar livre em um ambiente pensado para contemplação e conexão com o território.
Esse movimento demonstra uma mudança importante no turismo contemporâneo: o visitante não busca apenas conhecer um local, mas viver experiências autênticas.
E é exatamente nesse ponto que o Eco Parque Angicos vem se destacando.
Casarão de 1860 se transforma em experiência imersiva
Um dos grandes diferenciais do empreendimento é o Casarão Angicos, construção histórica datada de 1860, que passou a integrar experiências turísticas ligadas à memória do Brejo Paraibano.
O espaço foi inserido recentemente na Rota Ciclos do Brejo, permitindo aos visitantes uma verdadeira imersão nos ciclos econômicos que marcaram a região.
Segundo o roteiro desenvolvido no local, o casarão atravessou importantes períodos da economia regional, ligados ao café, cana-de-açúcar, sisal, pecuária leiteira e agricultura. Durante o processo de revitalização, também foi descoberta uma antiga senzala, hoje incorporada à visitação guiada com acervo de objetos históricos.
A condução da experiência é realizada por Isabella, responsável por apresentar aos visitantes as histórias e narrativas do território, conectando patrimônio, memória e interpretação cultural.
Mais do que visitar um casarão antigo, o turista passa a compreender como o Brejo Paraibano foi moldado economicamente e culturalmente ao longo dos séculos.

Turismo religioso também entra na experiência
Outro ponto que fortalece a identidade do Eco Parque Angicos é a presença do turismo religioso.
O empreendimento reconstruiu uma capela exatamente no mesmo local onde existia a antiga estrutura religiosa da fazenda, integrando o espaço à rota Caminhos da Fé e Criatividade.
A iniciativa amplia a diversidade da experiência turística e reforça uma tendência crescente no interior nordestino: integrar espiritualidade, cultura e experiência rural em um mesmo roteiro.
Rapadura, gastronomia regional e forró pé-de-serra
Dentro do Festival Caminho dos Engenhos, o Eco Parque Angicos assume um papel estratégico ao resgatar a experiência da rapadura artesanal como patrimônio cultural e gastronômico.
A programação prevista para o dia 16 de maio inclui a demonstração da produção de rapadura, a ambientação rural, o almoço regional e as apresentações culturais com trio pé-de-serra.
Segundo o material técnico do projeto, a experiência transforma o visitante em participante do processo produtivo, conectando-o simbolicamente ao ciclo da cana-de-açúcar — um dos pilares históricos do Brejo Paraibano.
A proposta inclui moagem da cana, degustação de caldo de cana, mel de engenho e rapadura, além de visita guiada ao casarão e vivências culturais integradas ao ambiente rural.
O cardápio da experiência também reforça a valorização da gastronomia regional, com pratos como carne de sol na brasa, carneiro guisado, moqueca de tilápia, feijão tropeiro, macaxeira na manteiga da terra e sobremesas típicas nordestinas.

Um exemplo de turismo em crescimento
O Eco Parque Angicos representa um novo perfil de empreendimento turístico no interior nordestino.
Enquanto muitos equipamentos ainda trabalham apenas com visitação tradicional, o complexo vem apostando em experiências integradas, interpretação cultural, valorização da territorialidade e aumento do tempo de permanência do visitante.
Na prática, isso também impacta diretamente no ticket médio do empreendimento, no fortalecimento da economia local e na geração de novas oportunidades ligadas ao turismo de experiência.
O que se observa em Bananeiras é um movimento claro de amadurecimento do turismo rural no Brejo Paraibano.
E o Eco Parque Angicos parece ter entendido algo que hoje se tornou essencial no turismo contemporâneo: não basta apenas receber visitantes. É preciso criar experiências que permaneçam na memória.
Foto capa Canindé Soares
















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